PERCEPÇÃO DA FORÇA GRAVITACIONAL E
DO MOVIMENTO
O
aparelho vestibular detecta a posição da cabeça no espaço; isto é,
determina se ela está ereta com relação à força gravitacional da
Terra, se está jogada para trás, se está voltada para baixo, ou em
outra posição. Detecta também as mudanças bruscas de movimento. Para a
execução dessas funções, o aparelho vestibular divide-se em duas
secções fisiologicamente distintas: a mácula do utrículo e do
sáculo e os canais semicirculares.
Máculas
As
máculas ficam posicionadas em diferentes graus de inclinação em relação
ao corpo, de tal forma que, quando uma está em posição horizontal, uma
outra fica em posição vertical.
Quando
se inclina a cabeça para um lado, o peso dos otólitos (otocônios)
desloca os cílios para esse lado, estimulando as fibras nervosas. Dessa
forma, a mácula supre as regiões de equilíbrio do sistema nervoso
central com as informações necessárias à manutenção do equilíbrio.
As máculas também auxiliam na manutenção do equilíbrio quando se
começa a andar subitamente para a frente, para o lado, ou em qualquer
outra direção linear. Isto é, quando se inicia um movimento para a
frente, a inércia faz com que os otólitos sejam deslocados para trás,
inclinando os cílios nessa direção. Esse fenômeno dá uma sensação
de desequilíbrio para trás. Como resposta, o indivíduo inclina-se para
a frente, a fim de não cair. Por outro lado, quando se quer frear um
movimento, deve-se inclinar o corpo para trás. Outra vez, são os
otólitos das máculas que iniciam automaticamente esse movimento; dessa
forma, quando se pára, os otólitos se conservam em movimento para
frente enquanto todo o corpo está parando. Isso desloca os cílios
das células maculares para a frente, fazendo com que a pessoa tenha a
sensação de estar caindo com a cabeça em direção ao chão. Como
resposta, o mecanismo de equilíbrio inclina o corpo para trás,
automaticamente.
Mudanças
na posição da cabeça fazem com que a força da gravidade, atraindo os
otólitos, estimule os cílios das células sensoriais maculares. Os
impulsos nervosos produzidos nas máculas permitem ao sistema nervoso
central calcular a orientação da força gravitacional. Assim, percebemos
se estamos de cabeça para cima ou para baixo e a velocidade de nosso
deslocamento.
Canais
semicirculares
Voltando-se
subitamente a cabeça em qualquer direção, o líquido presente nos
canais semicirculares desloca-se para trás em um ou mais canais, em
conseqüência de sua inércia (o mesmo efeito é obtido quando
subitamente se gira um copo com água). Com o movimento do fluido dos
canais semicirculares ocorre um fluxo contra a crista ampular, cujos
cílios se deslocam de um lado para o outro, dando à pessoa a sensação
de que sua cabeça está começando a rodar. A informação
transmitida dos canais semicirculares avisa o sistema nervoso sobre as
súbitas mudanças na direção do movimento. De posse dessa
informação, a formação bulboreticular (da porção inferior do tronco
cerebral), pode corrigir qualquer desequilíbrio, antes mesmo que
ocorra. Isso é particularmente importante quando se muda rapidamente
a direção de um movimento (por exemplo, numa competição de corrida).

Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed.
Interamericana, 1981.

Cerebelo
Além
de transmitir estímulos nervosos à formação bulborreticular, os canais
semicirculares e as máculas enviam informações ao cerebelo, que prevê
quando vai ocorrer um estado de desequilíbrio. Isso permite que
estímulos corretivos apropriados sejam enviados à formação
bulborreticular, principalmente antes do desequilíbrio acontecer, de
forma a evitá-lo, ao invés de corrigi-lo depois de ocorrido. Pessoas que
não possuem cerebelo não têm capacidade de previsão e, como resultado,
executam todos os movimentos lentamente a fim de evitar quedas.
Resumindo,
o sentido de equilíbrio depende de grupos de células sensoriais ciliadas
localizadas na parede interna do sáculo e do utrículo e na base dos
canais semicirculares. As fibras nervosas que partem dessas células
sensoriais levam informações sobre a posição relativa dos cílios até
os centros de equilíbrio no encéfalo. Quando a cabeça se movimenta, a
inércia do líquido no interior dos canais semicirculares exerce pressão
sobre os cílios das células sensoriais. A pressão faz com que os cílios
se curvem, estimulando as células sensoriais a gerar impulsos nervosos e
transmiti-los ao encéfalo. Se rodopiarmos a uma velocidade constante, o líquido
no interior dos canais semicirculares vai passando a se mover em consonância
com os canais, o que diminui a pressão sobre as células sensoriais. Se
pararmos bruscamente de rodopiar, o líquido dos canais semicirculares
continuará a se mover devido à inércia, estimulando as células
sensoriais. A sensação de tontura que sentimos resulta do conflito de
duas percepções: os olhos informam ao sistema nervoso que paramos de
rodopiar, mas o movimento do líquido dos canais semicirculares da orelha
interna informa que nossa cabeça ainda está em movimento.
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