O MECANISMO DA AUDIÇÃO
O
som é produzido por ondas de compressão e descompressão alternadas do
ar. As ondas sonoras propagam-se através do ar exatamente da mesma forma
que as ondas propagam-se na superfície da água. Assim, a compressão do
ar adjacente de uma corda de violino cria uma pressão extra nessa região,
e isso, por sua vez, faz com que o ar um pouco mais afastado se torne
pressionado também. A pressão nessa segunda região comprime o ar ainda
mais distante, e esse processo repete-se continuamente até que a onda
finalmente alcança a orelha.
A orelha humana é um órgão altamente sensível que nos capacita
a perceber e interpretar ondas sonoras em uma gama muito ampla de freqüências
(16 a 20.000 Hz - Hertz ou ondas por segundo).

A
captação do som até sua percepção e interpretação é uma seqüência
de transformações de energia, iniciando pela sonora, passando
pela mecânica, hidráulica e finalizando com a energia elétrica
dos impulsos nervosos que chegam ao cérebro.
ENERGIA SONORA – ORELHA EXTERNA
O pavilhão
auditivo capta e canaliza as ondas para o canal auditivo e para o tímpano
O canal auditivo serve como proteção e como amplificador de
pressão
Quando
se choca com a membrana timpânica, a pressão e a descompressão
alternadas do ar adjacente à membrana provocam o deslocamento do tímpano
para trás e para frente.
Imagem: www.if.ufrj.br/teaching/fis2/ondas2/ouvido/ouvido.html
Como mostrado acima, uma compressão força o tímpano para dentro e a
descompressão o força para fora. Logo, o tímpano vibra com a mesma freqüência
da onda.
Dessa forma, o tímpano transforma as vibrações sonoras em vibrações
mecânicas que são comunicadas aos ossículos (martelo, bigorna e
estribo).
ENERGIA MECÂNICA – ORELHA MÉDIA
O centro da membrana timpânica conecta-se com o cabo do martelo.
Este, por sua vez, conecta-se com a bigorna, e a bigorna com o estribo.
Essas estruturas, como já mencionado anteriormente (anatomia da orelha média),
encontram-se suspensas através de ligamentos, razão pela qual oscilam
para trás e para frente.
A movimentação do cabo do martelo determina também, no estribo,
um movimento de vaivém, de encontro à janela oval da cóclea,
transmitindo assim o som para o líquido coclear. Dessa forma, a energia
mecânica é convertida em energia hidráulica.
Os ossículos funcionam como alavancas, aumentando a força das
vibrações mecânicas e por isso, agindo
como amplificadores das vibrações da onda sonora. Se as ondas
sonoras dessem diretamente na janela oval, não teriam pressão suficiente
para mover o líquido coclear para frente e para trás, a fim de produzir
a audição adequada, pois o líquido possui inércia muito maior que o
ar, e uma intensidade maior de pressão seria necessária para
movimenta-lo. A membrana timpânica e o sistema ossicular convertem a
pressão das ondas sonoras em uma forma útil, da seguinte maneira: as
ondas sonoras são coletadas pelo tímpano, cuja área é 22 vezes maior
que a área da janela oval. Portanto, uma energia 22 vezes maior do que
aquela que a janela oval coletaria sozinha é captada e transmitida, através
dos ossículos, à janela oval. Da mesma forma, a pressão de movimento da
base do estribo apresenta-se 22 vezes maior do que aquela que seria obtida
aplicando-se ondas sonoras diretamente à janela oval. Essa pressão é,
então, suficiente para mover o líquido coclear para frente e para trás.
ENERGIA HIDRÁULICA – ORELHA
INTERNA
À medida que cada vibração sonora penetra na cóclea, a janela
oval move-se para dentro, lançando o líquido da escala vestibular numa
profundidade maior dentro da cóclea. A pressão aumentada na escala
vestibular desloca a membrana basilar para dentro da escala timpânica;
isso faz com que o líquido dessa câmara seja empurrado na direção da
janela oval, provocando, por sua vez, o arqueamento dela para fora. Assim,
quando as vibrações sonoras provocam a movimentação do estribo para trás,
o processo é invertido, e o líquido, então, move-se na direção oposta
através do mesmo caminho, e a membrana basilar desloca-se para dentro da
escala vestibular.
Movimento
do líquido na cóclea quando o estribo é impelido para frente.
Imagem: GUYTON, A.C. Fisiologia
Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.
A
vibração da membrana basilar faz com que as células ciliares do órgão
de Corti se agitem para frente e para trás; isso flexiona os cílios nos
pontos de contato com a membrana tectórica (tectorial). A flexão dos cílios
excita as células sensoriais e gera impulsos nas pequenas terminações
nervosas filamentares da cóclea que enlaçam essas células. Esses
impulsos são então transmitidos através do nervo coclear até os
centros auditivos do tronco encefálico e córtex cerebral. Dessa forma, a
energia hidráulica é convertida em energia elétrica.
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A flexão dos cílios nos pontos de contato com a
membrana tectórica excita as células sensoriais, gerando impulsos
nervosos nas pequenas terminações nervosas filamentares da cóclea
que enlaçam essas células. |
PERCEPÇÃO
DA ALTURA DE UM SOM
Um fenômeno chamado
ressonância ocorre na cóclea para
permitir que cada freqüência sonora faça vibrar uma secção diferente
da membrana basilar. Essas vibrações são semelhantes àquelas que
ocorrem em instrumentos musicais de corda. Quando a corda de um violino,
por exemplo, é puxada para um lado, fica um pouco mais esticada do que o
normal e esse estiramento faz com que se mova de volta na direção
oposta, o que faz com que a
corda se torne esticada mais uma vez, mas agora na direção oposta,
voltando então à primeira posição. Esse ciclo repete-se várias vezes,
razão pela qual uma vez que a corda começa a vibrar, assim permanece por
algum tempo.
Quando sons de alta freqüência penetram na janela oval, sua
propagação faz-se apenas num pequeno trecho da membrana basilar, antes
que um ponto de ressonância seja alcançado. Como resultado, a membrana
move-se forçosamente nesse ponto, enquanto o movimento de vibração é mínimo
por toda a membrana. Quando uma freqüência média sonora penetra na
janela oval, a onda propaga-se numa maior extensão ao longo da membrana
basilar antes da área de ressonância ser atingida. Finalmente, uma baixa
freqüência sonora propaga-se ao longo de quase toda a membrana antes de
atingir seu ponto de ressonância. Dessa forma, quando as células
ciliares próximas à base da cóclea são estimuladas, o cérebro
interpreta o som como sendo de alta freqüência (agudo), quando as células da
porção média da cóclea são estimuladas, o cérebro interpreta o som
como de altura intermediária, e a estimulação da porção superir da cóclea
é interpretada como som grave.
PERCEPÇÃO DA INTENSIDADE DE UM
SOM
A intensidade de um som é determinada
pela intensidade de movimento das fibras basilares. Quanto maior o
deslocamento para frente e para trás, mais intensamente as células
ciliares sensitivas são estimuladas e maior é o número de estímulos
transmitidos ao cérebro para indicar o grau de intensidade. Por exemplo,
se uma única célula ciliar próxima da base da cóclea transmite um único
estímulo por segundo, a altura do som será interpretada como sendo de um
som agudo, porém de intensidade quase zero. Se essa mesma célula ciliar
é estimulada 1.000 vezes por segundo, a altura do som permanecerá a
mesma (continuará agudo), mas a sua intensidade será extrema (a potência do
som será maior devido à intensidade de movimento das fibras basilares).
ENERGIA ELÉTRICA
– DA ORELHA INTERNA AOS CENTROS AUDITIVOS DO TRONCO ENCEFÁLICO E CÓRTEX
CEREBRAL
Após atravessarem o nervo coclear, os
estímulos são transmitidos, como já dito anteriormente, aos centros
auditivos do tronco encefálico e córtex cerebral, onde são processados.
Os centros auditivos do tronco encefálico
relacionam-se com a localização da direção da qual o som emana e com a
produção reflexa de movimentos rápidos da cabeça, dos olhos ou mesmo
de todo o corpo, em resposta a estímulos auditivos.
O córtex auditivo, localizado na porção
média do giro superior do lobo temporal, recebe os estímulos auditivos e
interpreta-os como sons diferentes.
Resumindo: na orelha interna, as vibrações
mecânicas se transformam em ondas de pressão hidráulica que se propagam
pela endolinfa. A vibração da janela oval, provocada pela movimentação da cadeia
ossicular, move a endolinfa e as células ciliares do órgão de Corti,
gerando um potencial de ação que é transmitido aos centros auditivos do
tronco encefálico e do córtex cerebral.
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