FISIOLOGIA
DA REPRODUÇÃO
SISTEMA
REPRODUTOR MASCULINO
PUBERDADE: os testículos da criança permanecem inativos até que são
estimulados entre 10 e 14 anos pelos hormônios gonadotróficos da glândula
hipófise (pituitária)
O hipotálamo libera FATORES LIBERADORES DOS HORMÔNIOS GONADOTRÓFICOS
que fazem a hipófise liberar FSH (hormônio folículo estimulante) e LH
(hormônio luteinizante).
FSH à
estimula a espermatogênese pelas células dos túbulos seminíferos.
LH à
estimula a produção de testosterona pelas células intersticiais dos
testículos à características
sexuais secundárias, elevação do desejo sexual.
TESTOSTERONA
Efeito na Espermatogênese.
A testosterona faz com que os testículos cresçam. Ela deve estar
presente, também, junto com o folículo estimulante, antes que a
espermatogênese se complete.
Efeito nos caracteres sexuais masculinos. Depois que um feto começa a se desenvolver no útero
materno, seus testículos começam a secretar testosterona, quando tem
poucas semanas de vida apenas. Essa testosterona, então, auxilia o feto a
desenvolver órgãos sexuais masculinos e características secundárias
masculinas. Isto é, acelera a formação do pênis, da bolsa escrotal, da
próstata, das vesículas seminais, dos ductos deferentes e dos outros órgãos
sexuais masculinos. Além disso, a testosterona faz com que os testículos
desçam da cavidade abdominal para a bolsa escrotal; se a produção de
testosterona pelo feto é insuficiente, os testículos não conseguem
descer; permanecem na cavidade abdominal. A secreção da testosterona
pelos testículos fetais é estimulada por um hormônio chamado
gonadotrofina coriônica, formado na placenta durante a gravidez.
Imediatamente após o nascimento da criança, a perda de conexão com a
placenta remove esse feito estimulador, de modo que os testículos deixam
de secretar testosterona. Em conseqüência, as características sexuais
interrompem seu desenvolvimento desde o nascimento até à puberdade. Na
puberdade, o reaparecimento da secreção de testosterona induz os órgãos
sexuais masculinos a retomar o crescimento. Os testículos, a bolsa
escrotal e o pênis crescem, então, aproximadamente mais 10 vezes.
Efeito nos caracteres sexuais secundários. Além dos efeitos sobre os órgãos genitais, a
testosterona exerce outros efeitos gerais por todo o organismo para dar ao
homem adulto suas características distintivas. Faz com que os pêlos cresçam
na face, ao longo da linha média do abdome, no púbis e no tórax.
Origina, porém, a calvície nos homens que tenham predisposição hereditária
para ela. Estimula o crescimento da laringe, de maneira que o homem, após
a puberdade fica com a voz mais grave. Estimula um aumento na deposição
de proteína nos músculos, pele, ossos e em outras partes do corpo, de
maneira que o adolescente do sexo masculino se torna geralmente maior e
mais musculoso do que a mulher, nessa fase. Algumas vezes, a testosterona
também promove uma secreção anormal das glândulas sebáceas da pele,
fazendo com que se desenvolva a acne pós-puberdade na face.
Na ausência de testosterona, as características sexuais secundárias não
se desenvolvem e o indivíduo mantém um aspecto sexualmente infantil.
¯Hormônios Sexuais Masculinos
|
Glândula |
Hormônio |
Órgão-alvo |
Principais
ações |
|
Hipófise |
FSH e LH |
testículos |
estimulam a produção de testosterona pelas células de Leydig (intersticiais)
e controlam a produção de espermatozóides. |
|
Testículos |
Testosterona |
diversos |
estimula o aparecimento dos caracteres sexuais
secundários. |
|
Sistema
Reprodutor |
induz o amadurecimento dos órgãos genitais, promove o impulso
sexual e controla a produção de espermatozóides |
SISTEMA
REPRODUTOR FEMININO
A
pituitária (hipófise) anterior das meninas, como a dos meninos, não
secreta praticamente nenhum hormônio gonadotrópico até à idade de 10 a
14 anos. Entretanto, por essa época, começa a secretar dois hormônios
gonadotrópicos. No inicio, secreta principalmente o hormônio foliculo-estimulante
(FSH), que inicia a vida sexual na menina em crescimento; mais tarde,
secreta o harmônio luteinizante (LH), que auxilia no controle do ciclo
menstrual.
Hormônio Folículo-Estimulante: causa a proliferação das células foliculares ovarianas e estimula a
secreção de estrógeno, levando as cavidades foliculares a
desenvolverem-se e a crescer.
Hormônio Luteinizante: aumenta ainda mais a secreção das células
foliculares, estimulando a ovulação.
Hormônios Sexuais Femininos
Os
dois hormônios ovarianos, o estrogênio e a progesterona, são responsáveis
pelo desenvolvimento sexual da mulher e pelo ciclo menstrual. Esses hormônios,
como os hormônios adrenocorticais e o hormônio masculino testosterona, são
ambos compostos esteróides, formados, principalmente, de um lipídio, o
colesterol. Os estrogênios são, realmente, vários hormônios diferentes
chamados estradiol, estriol e estrona, mas que têm
funções idênticas e estruturas químicas muito semelhantes. Por esse
motivo, são considerados juntos, como um único hormônio.
Funções do
Estrogênio: o estrogênio induz as células de muitos locais do
organismo, a proliferar, isto é, a aumentar em número. Por exemplo, a
musculatura lisa do útero, aumenta tanto que o órgão, após a
puberdade, chega a duplicar ou, mesmo, a triplicar de tamanho. O estrogênio
também provoca o aumento da vagina e o desenvolvimento dos lábios que a
circundam, faz o púbis se cobrir de pêlos, os quadris se alargarem e o
estreito pélvico assumir a forma ovóide, em vez de afunilada como no
homem; provoca o desenvolvimento das mamas e a proliferação dos seus
elementos glandulares, e, finalmente, leva o tecido adiposo a concentrar-se,
na mulher, em áreas como os quadris e coxas, dando-lhes o arredondamento
típico do sexo. Em resumo, todas as características que distinguem a
mulher do homem são devido ao estrogênio e a razão básica para o desenvolvimento
dessas características é o estímulo à proliferação dos elementos
celulares em certas regiões do corpo.
O estrogênio também estimula o crescimento
de todos os ossos logo após a puberdade, mas promove rápida calcificação
óssea, fazendo com que as partes dos ossos que crescem se
"extingam" dentro de poucos anos, de forma que o crescimento,
então, pára. A mulher, nessa fase, cresce mais rapidamente que o homem,
mas pára após os primeiros anos da puberdade; já o homem tem um
crescimento menos rápido, porém mais prolongado, de modo que ele assume
uma estatura maior que a da mulher, e, nesse ponto, também se diferenciam
os dois sexos.
O
estrogênio tem, outrossim, efeitos muito importantes no revestimento
interno do útero, o endométrio, no ciclo menstrual.
Funções
da Progesterona: a progesterona tem pouco a ver com o desenvolvimento
dos caracteres sexuais femininos; está principalmente relacionada com a
preparação do útero para a aceitação do embrião e à preparação
das mamas para a secreção láctea. Em geral, a progesterona aumenta o
grau da atividade secretória das glândulas mamárias e, também, das células
que revestem a parede uterina, acentuando o espessamento do endométrio e
fazendo com que ele seja intensamente invadido por vasos sangüíneos;
determina, ainda, o surgimento de numerosas glândulas produtoras de
glicogênio. Finalmente, a progesterona inibe as contrações do útero e
impede a expulsão do embrião que se está implantando ou do feto em
desenvolvimento.
CICLO MENSTRUAL
O
ciclo menstrual na mulher é causado pela secreção alternada dos hormônios
folículo-estimulante e luteinizante, pela pituitária (hipófise)
anterior (adenohipófise), e dos estrogênios e progesterona, pelos ovários.
O ciclo de fenômenos que induzem essa alternância tem a seguinte explicação:
1. No começo do ciclo menstrual, isto é, quando
a menstruação se inicia, a pituitária anterior secreta maiores
quantidades de hormônio folículo-estimulante juntamente com pequenas
quantidades de hormônio luteinizante. Juntos, esses hormônios promovem o
crescimento de diversos folículos nos ovários e acarretam uma secreção
considerável de estrogênio (estrógeno).
2. Acredita-se que o estrogênio tenha, então,
dois efeitos seqüenciais sobre a secreção da pituitária anterior.
Primeiro, inibiria a secreção dos hormônios folículo-estimulante e
luteinizante, fazendo com que suas taxas declinassem a um mínimo por
volta do décimo dia do ciclo. Depois, subitamente a pituitária anterior
começaria a secretar quantidades muito elevadas de ambos os hormônios
mas principalmente do hormônio luteinizante. É essa fase de aumento súbito
da secreção que provoca o rápido desenvolvimento final de um dos folículos
ovarianos e a sua ruptura dentro de cerca de dois dias.
3. O processo de ovulação, que ocorre por volta
do décimo quarto dia de um ciclo normal de 28 dias, conduz ao
desenvolvimento do corpo lúteo ou corpo amarelo, que secreta quantidades
elevadas de progesterona e quantidades consideráveis de estrogênio.
4. O estrogênio e a progesterona secretados pelo
corpo lúteo inibem novamente a pituitária anterior, diminuindo a taxa de
secreção dos hormônios folículo-estimulante e luteinizante. Sem esses
hormônios para estimulá-lo, o corpo lúteo involui, de modo que a secreção
de estrogênio e progesterona cai para níveis muito baixos. É nesse
momento que a menstruação se inicia, provocada por esse súbito declínio
na secreção de ambos os hormônios.
5. Nessa ocasião, a
pituitária anterior, que estava inibida pelo estrogênio e pela
progesterona, começa a secretar outra vez grandes quantidades de hormônio
folículo-estimulante, iniciando um novo ciclo. Esse processo continua
durante toda a vida reprodutiva da mulher.
|
OBSERVAÇÃO: a ovulação
ocorre aproximadamente entre 10-12 horas após o pico de LH.
No ciclo regular, o período de tempo a partir do pico de LH até a
menstruação está constantemente próximo de 14 dias. Dessa forma,
da ovulação até a próxima menstruação decorrem 14 dias.
Apesar de em um
ciclo de 28 dias a ovulação ocorrer aproximadamente na metade do
ciclo, nas mulheres que têm ciclos regulares, não importa a
sua duração, o dia da ovulação pode ser calculado como sendo o
14º dia ANTES do início da menstruação.
Generalizando, pode-se dizer que, se o ciclo menstrual tem uma duração
de n dias, o possível dia da ovulação é n – 14,
considerando n = dia da próxima menstruação.

Exemplo:
determinada mulher, com ciclo menstrual regular de 28 dias, resolveu
iniciar um relacionamento íntimo com seu namorado. Como não
planejavam ter filhos, optaram pelo método da tabelinha,
onde a mulher calcula o período fértil em relação ao dia da
ovulação. Considerando que a mulher é fértil durante aproximadamente nove
dias por ciclo e que o último ciclo dessa mulher iniciou-se no dia
22 de setembro de 2006, calcule seu período fértil. |
1º
dia do ciclo à endométrio
bem desenvolvido, espesso e vascularizado começa a descamar à
menstruação
ò
hipófise aumenta a produção
de FSH, que atinge a concentração máxima por volta do 7º dia do
ciclo.
ò
amadurecimento
dos folículos ovarianos
ò
secreção
de estrógeno pelo folículo em desenvolvimento
ò
concentração alta
de estrógeno inibe secreção de FSH e estimula a secreção de LH
pela hipófise / concentração alta de estrógeno estimula
ocrescimento do endométrio.
ò
concentração
alta de LH estimula a ovulação (por volta do 14º dia de um ciclo
de 28 dias)
ò
alta
taxa de LH estimula a formação do corpo lúteo ou amarelo no folículo
ovariano
ò
corpo lúteo inicia a produção de progesterona
ò
estimula
as glândulas do endométrio a secretarem seus produtos
ò
aumento
da progesterona inibe produção de LH e FSH
ò
corpo
lúteo regride e reduz concentração de progesterona
ò
menstruação |
Resposta: Considerando o primeiro dia
do ciclo como 22 e que seu ciclo é de 28 dias, temos:
22
23 24 25
26 27 28
29 30
[01
02 03 04
05 06
07 08 09]
10 11 12
13 14 15
16 17 18
19
Menstruará
novamente no dia 19/10 (n). Ocorrendo a ovulação 14 dias ANTES da
menstruação, esta se dará no dia 05/10 (considerando a fórmula n -
14, teremos: 19 - 14 = 5, ou seja, dia 05 será seu provável
dia de ovulação). Como seu período fértil aproximado
localiza-se 4 dias antes e 4 dias após a ovulação, então o início
dos dias férteis será 01/10 e o término, 09/10. Resposta: 45.
Como é comum em algumas mulheres uma pequena variação no
tamanho do ciclo menstrual, o cálculo para o período fértil deverá
compreender o ciclo mais curto e o mais longo. Neste caso, primeiramente a
mulher deverá anotar o 1° dia da menstruação durante vários meses e calcular
a duração de seus ciclos (cada um deles contado do primeiro dia da
menstruação). A partir daí, deverá proceder da seguinte forma para calcular
o período fértil:
-
subtrair 14 dias do ciclo mais curto (dia da
ovulação);
-
subtrair 14 dias do ciclo mais longo (dia da
ovulação);
-
subtrair pelo menos 3 dias do dia da ovulação do ciclo
mais curto e somar 3 dias ao dia da ovulação do ciclo mais longo.
Exemplo: suponha que o ciclo mais curto da mulher
exemplificada anteriormente tenha sido de 26 dias e o mais longo, de 30
dias. O cálculo do período fértil será feito assim:
-
subtraindo 14 dias do ciclo mais curto: 26
- 14 = 12 4 a
ovulação deverá ter ocorrido no 12° dia do ciclo mais curto;
-
subtraindo 14 dias do ciclo mais longo: 30
- 14 = 16 4 a
ovulação deverá ter ocorrido no 16° dia do ciclo mais longo;
-
subtraindo 3 dias do dia da ovulação do ciclo mais
curto (12 - 3 = 9) e somando 3 dias ao dia da
ovulação do ciclo mais longo (16 + 3 = 19), o período fértil ficará
entre o 9° e o 19° dia de qualquer ciclo menstrual desta mulher. Os dias
restantes serão os dias não-férteis.
OBSERVAÇÃO: os cálculos acima só funcionam para
mulheres com ciclos regulares (ou que sofrem apenas pequenas variações nos
ciclos).
Concluindo, o ciclo menstrual pode ser dividido em 4 fases:
-
Fase menstrual: corresponde
aos dias de menstruação e dura cerca de 3 a 7 dias, geralmente.
-
Fase proliferativa
ou estrogênica: período de secreção de estrógeno pelo folículo
ovariano, que se encontra em maturação.
-
Fase secretora ou lútea:
o final da fase proliferativa e o início da fase secretora é marcado
pela ovulação. Essa fase é caracterizada pela intensa ação do
corpo lúteo.
-
Fase pré-menstrual
ou isquêmica: período de queda das concentrações dos hormônios
ovarianos, quando a camada superficial do endométrio perde seu
suprimento sangüíneo normal e a mulher está prestes a menstruar.
Dura cerca de dois dias, podendo ser acompanhada por dor de cabeça,
dor nas mamas, alterações psíquicas, como irritabilidade e insônia
(TPM ou Tensão Pré-Menstrual).
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