Sinapses
Sinapse é um tipo de junção especializada em
que um terminal axonal faz contato com outro neurônio ou tipo celular. As
sinapses podem ser elétricas ou químicas (maioria).
Sinapses elétricas
As sinapses elétricas, mais simples e evolutivamente
antigas, permitem a transferência direta da corrente iônica de uma célula
para outra. Ocorrem em sítios especializados denominados junções gap
ou junções comunicantes. Nesses tipos de junções as membranas
pré-sinápticas (do axônio - transmissoras do impulso nervoso) e pós-sinápticas (do dendrito ou corpo celular - receptoras do impulso nervoso)
estão separadas por apenas 3 nm. Essa estreita fenda é ainda atravessada por
proteínas especiais denominadas conexinas. Seis conexinas reunidas
formam um canal denominado conexon, o qual permite que íons passem
diretamente do citoplasma de uma célula para o de outra. A maioria das
junções gap permite que a corrente iônica passe adequadamente em
ambos os sentidos, sendo desta forma, bidirecionais.

Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A.
Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed,
Artmed Editora, 2002.
Em invertebrados, as sinapses elétricas são comumente
encontradas em circuitos neuronais que medeiam respostas de fuga. Em
mamíferos adultos, esses tipos de sinapses são raras, ocorrendo
freqüentemente entre neurônios nos estágios iniciais da
embriogênese.
Sinapses químicas
Via de regra, a transmissão sináptica no sistema nervoso
humano maduro é química. As membranas pré e pós-sinápticas são separadas
por uma fenda com largura de 20 a 50 nm - a fenda sináptica. A passagem
do impulso nervoso nessa região é feita, então, por substâncias químicas: os
neuro-hormônios,
também chamados mediadores químicos ou neurotransmissores,
liberados na fenda sináptica. O terminal axonal típico contém dúzias de
pequenas vesículas membranosas esféricas que armazenam neurotransmissores -
as vesículas sinápticas. A membrana dendrítica relacionada com as
sinapses (pós-sináptica) apresenta moléculas de proteínas especializadas
na detecção dos neurotransmissores na fenda sináptica - os receptores.
Por isso, a
transmissão do impulso nervoso ocorre sempre do axônio de um neurônio para o
dendrito ou corpo celular do neurônio seguinte.
Podemos dizer então que nas sinapses químicas, a informação que
viaja na forma de impulsos elétricos ao longo de um axônio é convertida, no
terminal axonal, em um sinal químico que atravessa a fenda sináptica. Na
membrana pós-sináptica, este sinal químico é convertido novamente em sinal
elétrico.


Como
o citoplasma dos axônios, inclusive do terminal axonal, não possui
ribossomos, necessários à síntese de proteínas, as proteínas axonais
são sintetizadas no soma (corpo celular), empacotadas em vesículas
membranosas e transportadas até o axônio pela ação de uma proteína
chamada cinesina, a qual se desloca sobre os microtúbulos, com
gasto de ATP. Esse transporte ao longo do axônio é denominado transporte
axoplasmático e, como a cinesina só desloca material do soma para o
terminal, todo movimento de material neste sentido é chamado de transporte
anterógrado. Além do transporte anterógrado, há um mecanismo para
o deslocamento de material no axônio no sentido oposto, indo do terminal
para o soma. Acredita-se que este processo envia sinais para o soma sobre
as mudanças nas necessidades metabólicas do terminal axonal. O movimento
neste sentido é chamado transporte retrógrado.
As sinapses químicas também ocorrem nas junções entre as terminações dos axônios
e os músculos; essas junções são chamadas placas motoras
ou junções neuro-musculares.

Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed
Saraiva, 2002
Por
meio das sinapses, um neurônio pode passar mensagens (impulsos nervosos)
para centenas ou até milhares de neurônios diferentes.
Neurotransmissores
A maioria dos neurotransmissores situa-se em três
categorias: aminoácidos, aminas e peptídeos. Os neurotransmissores
aminoácidos e aminas são pequenas moléculas orgânicas com pelo menos um
átomo de nitrogênio, armazenadas e liberadas em vesículas sinápticas. Sua
síntese ocorre no terminal axonal a partir de precursores metabólicos ali
presentes. As enzimas envolvidas na síntese de tais neurotransmissores são
produzidas no soma (corpo celular do neurônio) e transportadas até o
terminal axonal e, neste local, rapidamente dirigem a síntese desses
mediadores químicos. Uma vez sintetizados, os neurotransmissores aminoácidos
e aminas são levados para as vesículas sinápticas que liberam seus
conteúdos por exocitose. Nesse processo, a membrana da vesícula
funde-se com a membrana pré-sináptica, permitindo que os conteúdos sejam
liberados. A membrana vesicular é posteriormente recuperada por endocitose
e a vesícula reciclada é recarregada com neurotransmissores.
Os neurotransmissores peptídeos constituem-se de grandes
moléculas armazenadas e liberadas em grânulos secretores. A síntese dos
neurotransmissores peptídicos ocorre no retículo endoplasmático rugoso do
soma. Após serem sintetizados, são clivados no complexo de golgi,
transformando-se em neurotransmissores ativos, que são secretados em
grânulos secretores e transportados ao terminal axonal (transporte
anterógrado) para serem liberados na fenda sináptica.
Diferentes neurônios no SNC liberam também diferentes
neurotransmissores. A transmissão sináptica rápida na maioria das
sinapses do SNC é mediada pelos neurotransmissores aminoácidos glutamato
(GLU), gama-aminobutírico (GABA) e glicina (GLI). A amina acetilcolina
medeia a transmissão sináptica rápida em todas as junções
neuromusculares. As formas mais lentas de transmissão sináptica no SNC e
na periferia são mediadas por neurotransmissores das três categorias.
O glutamato e a glicina estão entre os 20 aminoácidos
que constituem os blocos construtores das proteínas. Conseqüentemente,
são abundantes em todas as células do corpo. Em contraste, o GABA e as
aminas são produzidos apenas pelos neurônios que os liberam.
O mediador químico adrenalina,
além de servir como neurotransmissor no encéfalo, também é liberado pela glândula adrenal para a circulação sangüínea.
Abaixo são citadas as funções específicas de alguns
neurotransmissores.
-
endorfinas e encefalinas: bloqueiam a dor, agindo naturalmente no
corpo como analgésicos.
-
dopamina: neurotransmissor inibitório derivado da tirosina.
Produz sensações de satisfação e prazer. Os neurônios dopaminérgicos
podem ser divididos em três subgrupos com diferentes funções. O
primeiro grupo regula os movimentos: uma deficiência de dopamina neste
sistema provoca a doença de Parkinson, caracterizada por tremuras,
inflexibilidade, e outras desordens motoras, e em fases avançadas pode
verificar-se demência. O segundo grupo, o mesolímbico, funciona na
regulação do comportamento emocional. O terceiro grupo, o mesocortical,
projeta-se apenas para o córtex pré-frontal. Esta área do córtex está
envolvida em várias funções cognitivas, memória, planejamento de
comportamento e pensamento abstrato, assim como em aspectos emocionais,
especialmente relacionados com o stress. Distúrbios nos dois últimos
sistemas estão associados com a esquizofrenia.

-
Serotonina: neurotransmissor derivado
do triptofano, regula
o humor, o sono, a atividade sexual, o apetite, o ritmo circadiano, as funções
neuroendócrinas, temperatura corporal, sensibilidade à dor, atividade
motora e funções cognitivas. Atualmente
vem sendo intimamente relacionada aos transtornos do humor, ou transtornos
afetivos e a maioria dos medicamentos chamados antidepressivos agem
produzindo um aumento da disponibilidade dessa substância no espaço
entre um neurônio e outro. Tem efeito inibidor da conduta e modulador
geral da atividade psíquica. Influi sobre quase todas as funções
cerebrais, inibindo-a de forma direta ou estimulando o sistema GABA.
-
GABA (ácido gama-aminobutirico):
principal neurotransmissor inibitório do SNC. Ele está presente em quase
todas as regiões do cérebro, embora sua concentração varie conforme a
região. Está envolvido com os processos de ansiedade. Seu efeito ansiolítico
seria fruto de alterações provocadas em diversas estruturas do sistema límbico,
inclusive a amígdala e o hipocampo. A inibição da síntese do GABA ou o
bloqueio de seus neurotransmissores no SNC, resultam em estimulação
intensa, manifestada através de convulsões generalizadas.
-
Ácido glutâmico ou glutamato: principal
neurotransmissor estimulador do SNC. A sua ativação aumenta a
sensibilidade aos estímulos dos outros neurotransmissores.
Tipos de neurônios
De acordo com suas funções na condução dos impulsos, os neurônios
podem ser classificados em:
1. Neurônios
receptores ou sensitivos (aferentes): são os que recebem estímulos
sensoriais e conduzem o impulso nervoso ao sistema nervoso central.
2. Neurônios
motores ou efetuadores (eferentes): transmitem os impulsos motores
(respostas ao estímulo).
3. Neurônios
associativos ou interneurônios: estabelecem ligações entre os neurônios
receptores e os neurônios motores.

Células da Glia (neuróglia)
As células da neuróglia cumprem a função
de sustentar, proteger, isolar e nutrir os neurônios. Há diversos tipos
celulares, distintos quanto à morfologia, a origem embrionária e às funções
que exercem. Distinguem-se, entre elas, os astrócitos, oligodendrocitos e
micróglia. Têm formas estreladas e prolongações que envolvem as
diferentes estruturas do tecido.
Os
astrócitos são as maiores células da neuróglia e estão associados à
sustentação e à nutrição dos neurônios. Preenchem os espaços entre
os neurônios, regulam a concentração de diversas substâncias com
potencial para interferir nas funções neuronais normais (como por
exemplo as concentrações extracelulares de potássio), regulam os
neurotransmissores (restringem a difusão de neurotransmissores liberados
e possuem proteínas especiais em suas membranas que removem os
neurotransmissores da fenda sináptica). Estudos
recentes também sugerem que podem ativar a maturação e a proliferação
de células-tronco nervosas adultas e ainda, que fatores de crescimento
produzidos pelos astrócitos podem ser críticos na regeneração dos
tecidos cerebrais ou espinhais danificados por traumas ou enfermidades.
Os oligodendrócitos são encontrados apenas no
sistema nervoso central (SNC). Devem exercer papéis
importantes na manutenção dos neurônios, uma vez que, sem eles, os neurônios
não sobrevivem em meio de cultura. No SNC, são as células responsáveis
pela formação da bainha de mielina. Um único oligodendrócito contribui
para a formação de mielina de vários neurônios (no sistema nervoso
periférico, cada célula de Schwann mieliniza apenas um único axônio)
A micróglia é constituída por células
fagocitárias, análogas aos macrófagos e que participam da defesa do
sistema nervoso.

Origem
do sistema nervoso
O sistema nervoso origina-se da ectoderme embrionária e se localiza na região
dorsal. Durante o desenvolvimento embrionário, a ectoderme sofre uma
invaginação, dando origem à goteira neural, que se fecha,
formando o tubo neural. Este possui uma cavidade interna cheia de líquido,
o canal neural.
Em
sua região anterior, o tubo neural sofre dilatação, dando origem ao encéfalo
primitivo. Em sua região posterior, o tubo neural dá origem à medula
espinhal. O canal neural persiste nos adultos, correspondendo aos ventrículos
cerebrais, no interior do encéfalo, e ao canal do epêndimo,
no interior da medula.
Durante
o desenvolvimento embrionário, verifica-se que a partir da vesícula única
que constitui o encéfalo primitivo, são formadas três outras vesículas:
a primeira, denominada prosencéfalo (encéfalo anterior); a
segunda, mesencéfalo (encéfalo médio) e a terceira, rombencéfalo
(encéfalo posterior).
O
prosencéfalo e o rombencéfalo sofrem estrangulamento, dando origem, cada
um deles, a duas outras vesículas. O mesencéfalo não se divide. Desse
modo, o encéfalo do embrião é constituído por cinco vesículas em
linha reta. O prosencéfalo divide-se em telencéfalo (hemisférios
cerebrais) e diencéfalo (tálamo e hipotálamo); o mesencéfalo não
sofre divisão e o romboencéfalo divide-se em metencéfalo (ponte e
cerebelo) e mielencéfalo (bulbo). As divisões do S.N.C se definem já na
sexta semana de vida fetal.
|

|
1- tubo neural
2-
Prosencéfalo
3-
Mesencéfalo
4-
Rombencéfalo
5-
Telencéfalo
6-
Diencéfalo
7-
Metencéfalo
8-
Mielencéfalo
9-
Quarto ventrículo
10-
Aqueduto de Silvio
11-
Tálamo
12-
Terceiro ventrículo
13-
Ventrículo lateral |
-
Cavidade do telencéfalo: ventrículo lateral
-
Cavidade
do diencéfalo: III ventrículo
-
Cavidade do metencéfalo: se abre para formar o IV ventrículo
|

|
1-
Prosencéfalo
2-
Mesencéfalo
3-
Rombencéfalo
4-
Futura medula espinhal
5-
Diencéfalo
6-
Telencéfalo
7-
Mielencéfalo, futuro bulbo
8-
Medula espinhal
9-
Hemisfério cerebral
10-
Lóbulo olfatório
11-
Nervo óptico
12-
Cerebelo
13-
Metencéfalo
|
|
Morfogênese
vista em corte sagital médio

|
1-
Prosencéfalo
2-
Mesencéfalo
3-
Metencéfalo
4-
Mielencéfalo
5-
Hipotálamo
6-
Ventrículo lateral
7-
Quiasma óptico
8-
Nervo óptico
9-
Hemisférios cerebrais
10-
Epitálamo
11-
Tálamo
12-
Glândula pineal
13-
Nervo olfatório
14-
Corpo mamilar
15-
Telencéfalo
16-
Diencéfalo
17-
Hipófise
18-
Corpo caloso
19-
Cerebelo
20-
Corpo estriado
21-
Ponte
22-
Hipotálamo
23-
Bulbo olfatório
24-
Fórnix
25-
Aqueduto cerebral
26-
Tubérculo quadrigêmio
27-
Quarto ventrículo |
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Apresentação: Sistema Nervoso 1: Neurônios, Sinapses, Neurotransmissores e Glia
Apresentação: Sistema Nervoso 2: Embriogênese, SN Central e SN Periférico
Apresentação: Fármacos do SNA
Apresentação:
Tranqüilizantes e Sedativos
Transparências: Sistema Nervoso

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Desvendando o Sistema Nervoso MARK F. BEAR & BARRY W.
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