Sangue
O sangue humano é constituído por um líquido amarelado, o
plasma, e
por células e pedaços de células, genericamente denominados elementos
figurados.
a- Plasma:

b-Elementos Figurados:
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b-1- Eritrócitos (glóbulos vermelhos ou
hemácias):
transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos, através da
hemoglobina. São produzidas no interior dos ossos, a partir de células
da medula óssea vermelha, como apresentado a seguir:
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Gênese ou produção de hemácias pela medula óssea: hemocitoblasto
è eritroblasto basófilo è
eritroblasto policromatófilo è normoblato
è reticulócito è
eritrócito.
Durante
os estágios iniciais, as células dividem-se muitas vezes e mudam de cor,
devido à progressiva formação de maiores e maiores quantidades de
hemoglobina. No estágio de normoblasto, o núcleo se degenera e a célula
transforma-se num reticulócito. É nesse estágio que geralmente a célula
deixa a medula óssea. O reticulócito contém ainda pequenos filamentos
de retículo endoplasmático e continua a produzir pequenas quantidades de
hemoglobina. Contudo, o retículo degenera dentro de um ou dois dias e se
transforma numa célula madura: o eritrócito, que circula pelo sangue
durante aproximadamente 120 dias, antes de ser destruído.
Destruição das hemácias
pelo baço: Porção globina (grupo protéico – formado por aminoácidos):
digerido e reaproveitado.
Porção heme (grupo
prostético – formado por átomos de ferro): a hemoglobina liberada das
células que se fragmentam é fagocitada e digerida quase imediatamente,
liberando ferro na corrente sangüínea, para ser conduzido para a medula
óssea (para a produção de novas células vermelhas) e para o fígado
(produção do pigmento biliar bilirrubina).
A redução de glóbulos vermelhos no sangue (eritropenia) ou a queda na
concentração de hemoglobina chama-se anemia, caracterizada por cansaço
e deficiência respiratória. A anemia pode ter diversas causas:
ð Anemias carenciais: surgem por deficiência de determinados
nutrientes na dieta, como ferro, vitamina B12 e ácido fólico.
A anemia provocada pela falta de ferro é chamada ferropriva; pela falta
de vitamina B12 é a anemia perniciosa.
ðAnemias espoliativas: são resultado da perda de sangue causada por
algumas doenças, como amebíase, amarelão, úlcera e gastrite.
 |
ðAnemias hereditárias: são de base genética. Na talassemia ou
“anemia do Mediterrâneo”, há desequilíbrio na produção de cadeias
beta da hemoglobina, causando a produção deficiente de moléculas
normais.
A
anemia falciforme resulta da substituição de um único aminoácido na
cadeia beta (ácido glutâmico por valina) da hemoglobina. Submetidas a
baixas concentrações de oxigênio, as hemácias adquirem o aspecto de
uma foice e são destruídas.
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ðAnemias aplásticas: são originadas de doenças que comprometem a
medula óssea vermelha, acarretando diminuição na produção de glóbulos
vermelhos e demais células do sangue. Ex: leucemia.
O
aumento de glóbulos vermelhos no sangue (eritrocitose) geralmente se dá
por uma adaptação fisiológica do organismo a locais de altitude
elevada, onde o ar é rarefeito. Como a saturação de oxigênio é menor
que ao nível do mar e a saturação de hemoglobina permanece normal,
determinando diminuição da oferta de oxigênio nos tecidos. Como adaptação
fisiológica, ocorre secreção de eritropoetina pelos rins, estimulando a
medula óssea a produzir mais hemoglobina e mais glóbulos vermelhos. O
aumento da quantidade dessas células eleva a capacidade de captação de
oxigênio pelo ar.
b-2- Leucócitos (glóbulos brancos): são
células especializadas na defesa do organismo, combatendo vírus, bactérias
e outros agentes invasores que penetram no corpo
Denomina-se leucocitose o fenômeno em que o número de leucócitos sobe
acima de 10.000/mm³ de sangue e leucopenia quando desce abaixo de
2.000/mm³ de sangue. Na leucemia (câncer de leucócitos) encontramos
mais de 100 mil leucócitos/mm³ de sangue. A leucocitose geralmente
ocorre devido a uma infecção, enquanto a leucopenia predispõe o
organismo a infecções.
Os leucócitos
também são produzidos na medula óssea e são apresentados na tabela a
seguir:
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Classificação
dos leucócitos
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Granulócitos
(apresentam grânulos no citoplasma)
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Agranulócitos (não
apresentam grânulos no citoplasma)
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Neutrófilo
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Eosinófilo
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Basófilo
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Linfócito
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Monócito
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Característica
geral |
Núcleo
geralmente trilobulado.
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Núcleo bilobulado |
Grânulos
citoplasmáticos muito grandes, chegando a mascarar o núcleo |
Núcleo
muito condensado, ocupando quase toda a célula |
Núcleo
em forma de rim ou ferradura |
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Função
|
Fagocitar
elementos estranhos ao organismo |
Fagocitar
apenas determinados elementos. Em doenças alérgicas ou provocadas
por parasitas intestinais há aumento do número dessas células |
Liberar
heparina (anticoagulante) e histamina (substância vasodilatadora
liberada em processos alérgicos) |
Linfócitos
T auxiliares
ou células de “memória imunológica” orientam os linfócitos B na produção de
anticorpos; linfócitos T supressores
determinam o momento de parar a produção dos anticorpos; linfócitos
T citotóxicos que produzem substâncias que mudam
a permeabilidade das células invasoras (bactérias) ou de células
cancerosas, provocando sua morte.
Linfócitos
B,
que formarão os plasmócitos do tecido conjuntivo, são os
responsáveis pela produção de anticorpos específicos
no combate imunológico aos antígenos invasores.
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Fagocitar
bactérias, vírus e fungos |
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Nº
aproximado em cada mm3
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4.800
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240
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80
|
2.400
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480
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Os
monócitos do sangue podem atravessar por diapedese (movimento das
células da defesa para fora dos vasos sangüíneos) os vasos sangüíneos
e alojar-se em outros tecidos, dando origem a diferentes tipos celulares,
que têm em comum a grande capacidade de fagocitose: nos tecidos
conjuntivos de propriedades gerais dão origem aos macrófagos; no fígado,
às células de Kupffer; no tecido nervoso, às células micróglias.
 |
A
Hemocitopoese (Hematopoese) é
o processo de formação, maturação e liberação na corrente sanguínea
das células do sangue. O tecido conjuntivo hemocitopoético, ou tecido
reticular, é produtor das duas linhagens de glóbulos: leucócitos e
hemácias.
Esse tecido aparece no baço, no timo e nos nódulos linfáticos,
recebendo o nome de tecido linfóide. No interior da medula óssea
vermelha, esse tecido é chamado mielóide, ocupando os espaços
entre lâminas ósseas que formam o osso esponjoso.
|
As
células sanguíneas formam-se originalmente, das chamadas células-tronco
pluripotentes da medula óssea vermelha que, em ativa proliferação, podem produzir as duas
diferentes linhagens celulares, a linfóide e a mielóide.
As células linfóides vão originar a linhagem dos
linfócitos,
enquanto as mielóides produzirão hemácias, os outros leucócitos e
as plaquetas.

b-3-
Plaquetas ou trombócitos: são minúsculos discos redondos ou
ovais, de cerca de 2 mm de diâmetro
que participam do processo de coagulação sangüínea. Representam
fragmentos de megacariócitos, que são células brancas
extremamente grandes formadas na medula óssea. Os megacariócitos
desintegram-se, formando plaquetas, enquanto ainda estão na medula óssea,
liberando depois as plaquetas no sangue. A concentração normal de
plaquetas no sangue situa-se em torno de 200.000 a 400.000 por mililitro
de sangue.
Na trombocitopenia ocorre redução do número de plaquetas
circulantes, o que predispõe o paciente a um grande número de minúsculos
pontos hemorrágicos na pele e nos tecidos profundos, uma vez que o método
de tamponamento plaquetário para interromper pequenas hemorragias
vasculares se torna deficiente. Pessoas com trombocitopenia têm também
tendência a sangrar do mesmo modo que os hemofílicos. A trombocitopenia pode ser determinada
geneticamente, porém a maioria dos casos é resultante de intoxicação
(toxinas, agrotóxicos) ou medicamentos.
Na trombocitose ocorre
aumento do número de plaquetas circulantes, podendo levar à formação
de trombos (coágulos), predispondo o indivíduo à trombose, que é a
solidificação do sangue dentro do coração ou dos vasos. Geralmente é
determinada geneticamente.
Coagulação sangüínea
Mecanismos
da Hemostasia (impedimento de perda sangüínea):
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(1) espasmo
vascular: imediatamente após a ruptura ou o corte de um vaso sangüíneo
ocorre vasoconstrição (contração) do vaso sangüíneo lesado.
(2) formação de tampão plaquetário: acúmulo de plaquetas para
formar um tampão plaquetário no vaso lesado (adesividade das plaquetas
no local da lesão e aderência das plaquetas entre si).
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(3) coagulação sangüínea:
substâncias ativadoras provenientes tanto da parede vascular
traumatizada quanto das plaquetas (entre elas, a enzima tromboplastina)
dão início a uma complexa rede de reações químicas em cascata (ou em
cadeia) que, na presença de íons cálcio, culmina na conversão da
proteína plasmática protrombina em enzima ativa trombina. A trombina,
por sua vez, converte o fibrinogênio em fibrina, que forma uma rede de
filamentos que retém plaquetas, células sangüíneas e plasma, formando o
coágulo.
A síntese de alguns fatores de coagulação
(como protrombina) ocorre no fígado e é
dependente de vitamina K, cuja deficiência pode provocar hemorragias. De
forma semelhante, para a conversão de protrombina em trombina é necessária a
presença de íons cálcio. Conseqüentemente, a falta de vitamina K e/ou de
cálcio pode comprometer a coagulação sangüínea, resultando em tendência a
hemorragias.
OBS.: os fatores
de coagulação do sangue (mais de 12) são, em sua maioria, formas inativas de
enzimas proteolíticas. Quando convertidas nas suas formas ativas, suas
reações enzimáticas causam as sucessivas reações em cascata do processo de
coagulação.

(4) regeneração:
crescimento de tecidos fibrosos no coágulo sangüíneo para obturar o
orifício do vaso
A hemofilia é uma doença hereditária que afeta a coagulação do sangue
devido à não produção de algum fator de coagulação. Como a coagulação
é uma reação em cascata, a falta de qualquer componente provoca interrupção
do processo.
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